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2007
…seis,…sete,…oito
badaladas. Oito horas da tarde, informa o sino da igreja. O
espaço começa a ganhar vida. Escondido atrás de edifícios que
variam de idade, altura e desenho nasce um espaço que procura
unificar e dar nova alma ao habitar de um centro histórico que
não vive, que sobrevive.
É o que noto ao passear
pelo centro de Oeiras. Lojas que em tempos foram de moda são
agora de roupa, mostram nas montras trapos que já ninguém quer.
Na porta "Aberto das 09:00 às 19:00", horário que não serve quem
a essa hora está por trás de outro sinal igual.É no meio de um
centro histórico ferido que encontro este espaço vazio, quase
abandonado, o nosso terreno.
São oito horas e venho
passear. Na minha mão outra mão, a de uma mulher. Caminho a seu
lado enquanto empurra o carrinho onde uma criança descansa.
Caminhamos com o pôr-do-sol como cenário. Atravessamos um
corredor onde jovens entram e saem. Vejo pelas janelas que
trabalham ainda.
Chego a um pátio. Não
sou o primeiro. Vejo mesas com famílias a lerem o que penso
serem menus de restaurante. Vejo pessoas sentadas a trabalhar
com os portáteis e outrasa olhar para o pôr-do-sol. Eu venho
jantar.
Puxo a cadeira à mulher que me
acompanha. Sento-me a seu lado. Ficamos os três a ver o sol
descer por trás de um grande ecrã. Projectado nessa grande
superfície não vejo nenhum canal de televisão. O ecrã projecta o
parque infantil que está à sua frente. Torna-se em mais um
elemento de brincadeira para as crianças. Elas brincam nos
baloiços e escorregas e interagem com o ecrã. Acenam para si,
acenam às famílias. O ecrã é divertido.
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