|
2008
Num
pinhal quer-se uma casa. Abate-se uma árvore. Abate-se outra.
Outra ainda. E outra, e outra, e outra... Quando temos casa não
temos pinhal. Não!!! Caminho entre árvores. As copas permitem
que a luz penetre tímida entre os ramos. Piso a caruma seca no
chão e as pinhas que toco com os pés rodam à minha frente sobre
a areia. Envolvido por pinheiros, fecho os olhos e sinto-os a
balançar ao vento. O cheiro a madeira e resina relaxa-me.
Oiço os
pássaros, que não vejo, a cantar. Abanam as asas e chove caruma
que se amontoa no chão e cria um ninho para quem aqui quer
viver. Imagino esse ninho. Um ninho para quem vê, um lar para
quem mora. Uma casa. Serpenteia entre os pinheiros
esquivando-se. As paredes inclinam-se para evitar que toque nas
copas. Fecha-se para a estrada abrindo-se para o pinhal que se
estende à sua frente. Andar dentro de casa é caminhar evitando
as árvores. Habitá-la é ser pássaro num ramo.
A luz
entra a Sul e espalha-se. Entra orgulhosa na casa e impõe-se. O
ambiente exterior contagia o interior. Faz sol fora. Faz sol
dentro. Se faz chuva.... Aqui chove sempre, chove luz, chove
caruma, às vezes chove água. Se não chove faz sol, e quando
brilha, caminho entre as árvores pisando a caruma seca que cai
na areia. As pinhas, recolho-as para a lareira. Dentro de casa,
o cheiro a madeira e resina relaxa-me. Oiço os pássaros, que não
vejo, a cantar.
Por cima painéis abraçam
o sol e reservam energia para usar dentro. De noite o sol ainda
me aquece. Num pinhal quer-se uma casa. Num pinhal tem-se uma
casa. Um ninho.
ARRANJOS
EXTERIORES
>
TERRAMORFOSE
|







|