Design de Garrafa

Design de Garrafa

O desenho de objetos e edifícios tem ganhado ao longo dos últimos 15 anos uma responsabilidade clara na promoção de cidades e objetos. Em grandes escalas, o desenho de edifícios tem sido um dos principais elementos de promoção de cidades que se querem projetar num ambiente global e atrair investimento e visitantes. Aqui, o design de garrafa procura acompanhar esta tendência.

A uma escala mais pequena, também o desenho de objetos tem ganho importância e sofrido uma evolução clara que alterado os nossos níveis de exigência e o nosso gosto.

Estas evoluções no desenho têm uma forte ligação à evolução das tecnologias quer de desenho, quer de fabrico, que permitem hoje construir qualquer objeto customizado a um valor aproximado a um objeto estandardizado. Outro fator que tem influenciado na evolução do desenho de objetos e edifícios é a crescente importância do marketing e o seu feedback no desenho de produtos.

Se olharmos para o desenho de automóveis e analisarmos os automóveis do ano 2000 e os atuais a evolução é notável. Um Volvo recente por exemplo é sensual e interessante, quando modelos anteriores eram de linhas rígidas e passavam uma imagem de robustez. O mesmo se passa com outras marcas como Audi e Mercedes que redefiniram a sua imagem, mantendo o espirito de cada marca.

Objetos mais pequenos como telemóveis também tem evoluído significativamente. Ter objetos com design de qualidade é cada vez mais comum. Desenhar um objeto original é cada vez mais um desafio difícil.

No caso das garrafas, podemos aqui trabalhar dois objetos que tenham uma forte ligação à cidade, e que sirvam de suporte para as alterações comportamentais pretendidas.

Alteração Comportamental

É importante reconhecer o valor dos objetivos das Águas do Porto e o lançamento do desafio de desenhar duas garrafas que se enquadrem nesses objetivos. O Design de Garrafa respondeu a esse desafio. A preocupação pela sustentabilidade do nosso planeta está cada vez mais enraizada. São contudo os hábitos culturais os mais difíceis de alterar. O consumo de água em garrafas de plástico e a produção de uma grande quantidade de lixo urbano são dois problemas que se podem resolver com um objetivo bem definido como o deste concurso.

Conseguir que este desafio se torne um sucesso, quer para os promotores, quer para a população, tornará o Porto uma referência no reconhecimento da qualidade da água, na alteração de comportamentos que resultam em poupança para a sociedade em geral e na redução de lixo urbano que resulta numa melhoria para toda a população.

Reciclar começou por ser uma estratégia para proteger um mundo usado sem respeitar o manual de instruções. Rapidamente se torna numa filosofia de vida que nos enquadra em algo muito maior do que o nosso pequeno espaço. Desligar as luzes, fechar a torneira quando não se está a utilizar a água, colocar todos os alimentos no frigorífico abrindo apenas uma vez a porta são comportamentos resultantes do passo inicial de separar o plástico do papel.

Diziam os nossos pais enquanto éramos pequenos que o dinheiro não caia das árvores, alertando para o facto de que não era fácil ter mais. Mesmo o papel que vem de facto das árvores, e a água que vem do céu, se vai esgotando. Às árvores demoram a crescer para se derrubarem em segundos. A água que cai do céu também escasseia e as secas são cada vez mais frequentes e maiores.

Justifica-se assim todas as estratégias publicitárias para corrigir comportamentos erróneos. Os anúncios na televisão que com crianças nos pedem para termos uma atitude mais responsável. Crianças que nos mostram que se eles são capazes, todos são capazes.

A reciclagem foi decorada com sorrisos e estratégias que nos influenciam para alterar comportamentos. Uma parte do lixo deixa de ter uma conotação de porcaria. Os sacos de resíduos orgânicos são sujos, com cheiros e convidam às moscas. Ao reciclar, a sujidade reduz. O saco de lixo passa a ser mais pequeno e aparecem outros sacos, também pequenos e mais limpos. Separamos o lixo e a casa fica mais limpa e “o ambiente agradece”.

Neste concurso encarámos o desafio de desenhar uma alteração de. O desenho claramente contemporâneo diz-nos que reciclar é uma que nos liga ao futuro. Esta estratégia levou-nos a um desenho sedutor, com alguma versatilidade que sugere aos utilizadores que podem beber com estilo.

Conceito

Como inspiração para o desafio pareceu-nos interessante pensar na água e no próprio Rio Douro que faz parte da imagem do e do ambiente do Porto. Assim, imaginámos um objeto que transporta a água para o interior do nosso corpo da mesma forma que um rio transporta a água para o Oceano. Esta ideia resultou em objetos com linhas fluidas que formam as garrafas. Em ambas as garrafas, as linhas fluidas circulam da base da garrafa até ao gargalo, de onde a água sai para a boca ou o copo.

A marca Porto. foi inscrita nas garrafas em alto relevo com pintura. Procurou-se que as proporções das garrafas mostrassem dois objetos sensuais e elegantes, com objetivos claramente diferentes.

No caso da garrafa de vidro, desenhou-se um objeto que se integra facilmente num restaurante de alta classe, assim como numa esplanada. A garrafa foi desenhada para ser versátil, caber facilmente numa mochila ou mala de senhora.

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