EPIPHANY

ampliação de Residência de Idosos – Funchal

 

arquitectura - 38N9W

engenharia - CEC

arquitectura paisagística - GREENARQ

 

Na era do descartável temos de cada vez mais preservar o passado e a história. Ao proteger o passado para que não seja esquecido, devemos fazê-lo de maneira a integrá-lo no presente garantindo harmonias ou contrastes que resultem em relações interessantes e funcionais. No caso do Lar de Santa Isabel a necessidade de um novo corpo conduz-nos à exploração desse contraste entre passado e presente.

A articulação entre o corpo existente e o corpo novo foi concebida de forma a respeitar o passado mas assegurando um conjunto preparado para o Futuro. O novo corpo cresce a Norte e “abraça” o corpo existente, funcionando como uma unidade que transporta o corpo existente para o futuro. A extensão foi projectada de forma a usufruir da exposição solar, da paisagem e explorando uma relação forte entre os espaços verdes e as áreas construídas.

O corpo novo aproxima-se da cota de cumeeira do existente, não se destacando em altura. A Norte ele integra-se na paisagem simulando uma construção de pouco volume e criando uma relação entre a área verde a Norte e o corpo existente. Foram removidos os anexos nas traseiras do edifício existente com o objectivo de criar espaços de melhor qualidade. Esses espaços de arrumos foram transferidos para o piso -1 do corpo novo.

A área de intervenção tem as características ideais para a criação de um ponto relevante de observação da paisagem. O lugar em questão apresenta já um ponto de observação de destaque com perspectivas invejáveis. Exploramos na proposta a relação entre a ilha e o mar, entre o céu e a água, entre o topo do monte e o Funchal. Exploramos ainda a relação entre o novo e o antigo, entre o histórico e o contemporâneo, entre o interior e o exterior.

As relações referidas são trabalhadas criando espaços poéticos e funcionais que permitam aos utentes chegar sem esforço a locais com características diferentes de modo a poderem usufruir da paisagem do Funchal, da paisagem do monte, sempre banhados pela luz diurna e nocturna característica da Ilha da Madeira. A exploração de relações poéticas entre vários elementos explora a beleza de usufruir de um espaço com as características que se ambicionam nesta proposta.

Para criar uma relação interessante entre o passado e o contemporâneo projectou-se a extensão do lar na área Norte do terreno, criando um claustro entre o edifício existente e o futuro corpo. A extensão foi projectada de forma a resolver as diferenças de cotas ao mesmo tempo que serve de contenção ao terreno com declive acentuado.

A forma do novo corpo nasce do simples desenho de um bloco com duas águas encostado ao edifício existente. A esse bloco recortou-se uma área de protecção ao corpo existente. Esse espaço tornou-se o claustro e a zona de contacto entre os dois corpos. Posteriormente recortou-se uma área no último piso, interrompendo as duas águas e permitindo uma relação entre o terreno a Norte e o edifício existente. São ainda recordados pequenos pedaços da cobertura do novo corpo, criando diversas varandas que irão pertencer a alguns quartos.