MR & MSS EDY
concurso do centro histórico de Oeiras
…seis,…sete,…oito badaladas. Oito horas da tarde, informa o sino da igreja. O espaço começa a ganhar vida. Escondido atrás de edifícios que variam de idade, altura e desenho nasce um espaço que procura unificar e dar nova alma ao habitar de um centro histórico que não vive, que sobrevive.
É isso que noto ao passear pelo centro de Oeiras. Lojas que em tempos foram de moda são agora de roupa, mostram nas montras trapos que já ninguém quer. Na porta “Aberto das 09:00 às 19:00”, horário que não serve. Serve, apenas aqueles que não estão nessas mesmas horas a trabalhar ou presos no trânsito.
É no meio de um centro histórico ferido que encontro este espaço vazio, quase abandonado, o nosso terreno.
São oito horas e venho passear. Na minha mão outra mão, a de uma mulher. Caminho a seu lado enquanto empurra o carrinho onde uma criança descansa. Deixei o carro numa garagem e caminhamos agora com o pôr-do-sol como cenário.
Atravessamos um corredor onde jovens entram e saem. Vejo pelas janelas que trabalham ainda.
Chego a um pátio. Não sou o primeiro. Vejo mesas com famílias a lerem o que penso serem menus de restaurante. Vejo pessoas sentadas a trabalhar com os portáteis, vejo pessoas apenas a olhar para o pôr-do-sol. Eu venho jantar.
Puxo a cadeira à mulher que me acompanha. Ela senta-se e eu sento-me a meu lado. Ficamos os três virados a poente a ver o sol descer por trás de um grande ecrã. Projectado nessa grande superfície não vejo nenhum canal de televisão, embora seguramente fosse possível a transmissão de um filme, peça de teatro ou jogo de football. O ecrã projecta o parque infantil que está à sua frente. Torna-se em mais um elemento de brincadeira para as crianças. Elas brincam nos baloiços e escorregas e interagem com o ecrã. Acenam para si, acenam às famílias. O ecrã é divertido para as crianças e serve de vigilância aos pais que jantam a poucas dezenas de metros.
Não passa publicidade no ecrã, passa informação. Em rodapé informa-se que haverá peças de teatro e transmissão de filmes em datas marcadas.
O edifício é composto por 3 partes, criando uma família como tantas que vejo por aqui. A união é feita por um estacionamento subterrâneo e pelos espaços exteriores. Duas partes serpenteiam e uma esconde-se num pátio mais acima.
