RAIL
remodelação do museu do carro eléctrico – Porto
arquitectura – 38N9W
engenharia – AFA CONSULT
arquitectura paisagística – MARISA LAVRADOR
Duas linhas paralelas em ferro, cravadas no pavimento marcam na cidade um tempo passado. As que ainda têm o privilégio de ser usadas valorizam a cidade com a passagem da pesada máquina eléctrica. Contam a história da cidade, dos seus transportes, dos percursos que eram nela percorridos. Nas “entrelinhas” lêem-se os hábitos de habitantes desaparecidos. As linhas que ao tempo resistiram, mas que o tempo as tornou obsoletas, contam também histórias de necessidades passadas, de tempos que mudaram, de uma gente que já não existe e de trajectos que são hoje percorridos de outras formas.
Ao som do eléctrico caminha-se junto ao rio. Os antigos carris no pavimento ainda marcam uma relação com quem por eles passa. O peão que os pisa e vê a água escorrer pelas suas calhas, o ciclista que se esquiva das fendas, o condutor que evita deslizar sobre a superfície metálica. Esta relação com os carris existe onde o Eléctrico ainda circula ou onde com o passar do tempo se tornou história.
Estas linhas paralelas acentuam a relação com um transporte que valoriza culturalmente uma cidade e que procura resistir à “erosão” da história. Elas irão ao longo desta proposta servir de elemento de aproximação da história ao público tanto no interior e no exterior, não com repetições óbvias, mas como provocações ao nosso imaginário do Eléctrico através de iluminação natural e artificial que nos lembrará da história que aqui se quer preservar.
A regra do paralelismo, que obriga a uma distância constante entre duas linhas é aqui provocada para que a distância se altere criando uma variação despertando a curiosidade do visitante. As linhas paralelas são forte fonte de inspiração e contagiam a intervenção proposta.
